Atlético Paranaense e Coritiba são clubes regulares no Campeonato Brasileiro. Salve raras exceções, disputam a liderança da parte baixa da tabela. Almejam no máximo a participação na Copa Sul-americana. Reclamam de investimentos, que só se investe nos clubes de Rio de Janeiro ou São Paulo. Apenas se esquecem que poderiam conquistar os recursos se soubessem mobilizar, de verdade, a cidade de Curitiba. Segue aqui uma listagem de pequenos (ou grandes) erros cometidos pela dupla AtleTiba.
1 – Fazer pela metade
O Atlético quando seguiu a tendência dos grandes clubes do mundo, em formar sócios torcedores a partir de uma mensalidade, esqueceu do restante do povo – aqueles que não podem pagar os R$70 por mês para ver seu clube na Arena. Não pensou em alternativas para aproximar esse público da vida do clube, o que poderia ser feito a partir de telões nas redondezas do estádio como também em outros pontos da cidade. Se esse é um serviço que custa caro, é simples: basta terceirizar, pois considerável parte das ações que renderam mídia para o Atlético Paranaense nos últimos tempos era terceirizada. Ou seja, é só organizar algo que dê lucro para ambos.
2 – Mancada centenária
O Coxa completou 100 anos em 2009. Vai demorar muito para completar uma data sagrada como é o centenário. Poderia, já em 2008, quando a CBF dava seus primeiros passos na formulação da tabela, negociar com a entidade máxima do futebol brasileiro. Não fez isso. No jogo do centenário, enfrentou o inexpressivo Barueri para um publico pífio no Couto Pereira. Era o dia de aproveitar e tentar marcar algo contra um Flamengo, São Paulo ou Corinthians, pegando a rabeira da popularidade que esses clubes já tem para formar uma festa inesquecível dentro de seu estádio. Afinal, dizem que na missa dos 100 anos havia mais gente que no Couto Pereira, no jogo dos 100 anos.
3 – Interiorano não é caipira
Os clubes da capital se enfraquecem quando alimentam o ódio dos clubes do interior, se fazendo prevalecer de atos como o Supermando. Coxa e Cap dão a entender que desprezam os clubes do interior, e que enfrentar eles fora da capital é uma simples obrigação. É cultural a encrenca de Londrina e Maringá, por exemplo, com Curitiba. Mas quando ocorre uma barbaridade como o supermando, mesmo que os respectivos LEC e GEM estejam fora da elite, fica a imagem de que o curitibano quer passar o povo do interior pra trás sempre que pode. Que tal pelo menos fingir que são todos iguais, paranaenses, como alviverdes e rubro-negros gostam de exaltar quando pedem alento no interior?
4 – Valorizar a história
Atlético Paranaense e Coritiba tem historiadores de referência nacional. No lado rubro-negro, Heriberto Ivan Machado, autor de livros que contam a história de todo futebol paranaense (junto do também renomado Levir Mulford). No lado alviverde, os Helênicos representam com requinte a missão de resgatar a história centenária do Coxa. Mas e os clubes, o que fazem para valorizar esse grandioso serviço de Heriberto e Helênicos? Eventos com eles estão sendo colocados em pauta nos shoppings, nas escolas, nas bibliotecas e até mesmo nos estádios? Vamos valorizar quem não deixa essa bela história da dupla AtleTiba cair no esquecimento.
5 – Literatura do futebol paranaense?
Na contramão de editoras de Rio de Janeiro e São Paulo, que anunciam recorde de produções futebolísticas enfocadas nos seus times, o Paraná não produz livros de futebol. O único livro de futebol anunciado por aqui foi do interior, escrito por Antônio Padilha, de Maringá, que tirou diversas histórias do futebol fora da capital do anonimato (Livro Interior bom de Bola). Em Curitiba, são pouquíssimos os livros sobre os clubes, geralmente feitos por gente que recebe como único apoio a ajuda e o incentivo de amigos. Coxa e Atlético poderiam lançar alguma iniciativa para que livros que contem suas histórias voltem a ganhar evidência. Londrina, Operário de Ponta Grossa, Grêmio de Maringá, Atlético, Coritiba, Paraná, Rio Branco e Seleto são os times que no momento tem edições contando suas histórias(em breve, entrevista com o Padilha no De Primeira. Outros autores da história de nosso futebol também serão entrevistados).
6 – Cantar pros times locais
A produção cultural envolvendo os times daqui existe? Digo por parte dos clubes, não dos artistas de teatro e bandas. Recentemente houve o Atletiba no teatro. Poderia ter no campo de futebol, também, quem sabe no meio de uma partida. Isso pra não falar da produção de shows, por exemplo. Foi organizado no Inter de Porto Alegre a apresentação de bandas locais compostas por colorados (como Graforréia Xilarmonica e Tenente Cascavel, composta por integrantes dos Cascavelletes e TNT). O evento ocorreu dentro do Estádio Beira Rio. Quando vão fazer isso em Curitiba? A capital paranaense é uma cidade repleta de bandas legais, muitas delas torcedoras dos times da capital.
7 – Função social
Falta que Coxa e Cap se envolvam de cabeça em eventos sociais. O Coritiba ganhou valiosos pontos quando, junto com o Ministério Público, ajudou a lançar uma cartilha sobre o estatuto da criança e do adolescente, a ser entregue nas escolas, com o personagem coxinha. Não sei o que houve, mas a ação poderia envolver os três times na mesma historinha. Um pai atleticano ou paranista vai ver essa revista, que é de altíssima importância para a formação de uma garotada consciente, de forma preconceituosa. Quem sabe até pode jogar fora. Se faz uma edição com os três, poderiam pensar em histórias sobre os tais direitos e deveres já na perspectiva do respeito a diversidade entre torcedores do trio de ferro, a partir da rivalidade do futebol, etc.
8 – Direito de imagem?
Coxa, Cap e Paraná, como bem foi falado anteriormente pelos amigos Leonardo Mendes Jr e Jones Rossi, dão a entender que utilizam os direitos de imagem sobre os jogadores apenas para burlar impostos. Tem que usar a boleirada pra eventos do clube, na parte chique e na periferia, pra cidade inteira se mobilizar pelos times locais. Depois não adianta reclamar que a juventude prefere os times de Sampa ou do Rio. São os jogadores deles que são vistos na TV o dia inteiro.
9 – Loja chique e popular
As lojas de Coxa e Cap estão em lugares “chiques” da cidade, nos seus respectivos estádios, repletos de artigos caros. Mas a dupla AtleTiba tem seus diversos torcedores da região metropolitana ou de pontos afastados do centro. Só quem já trabalhou pesado a semana inteira sabe o quanto é bom permanecer no seu cantinho no final de semana, curtindo um pouco de tranquilidade. Coxa e Atlético deveriam organizar os populares “bazares”, tão comuns nessas localidades. Mesmo que sejam daqueles por um ou dois dias. É só vender roupas oficiais, mas de valores acessíveis ao povo, que vão ter bons motivos para esquecer da pirataria. E vão ver também o povão de cabeça nos times da capital. E tem outra. Investidor analisa bem isso antes de patrocinar um clube de futebol.
10 – Mascotes
O Coxa tem aquele mascote que fica nos jogos, o vovô. Outro dia ouvi no ônibus de um vizinho que tentou ligar no clube pedindo como fazia pro “vovô” comparecer na festa de seu filho, mas quem atendeu disse que que não dava. Pô, tá aí, outro lance que dá pra ganhar dinheiro e envolver o povo com os times locais. Serve para os três da capital.
11 – Meninas
Curitiba tem um dos melhores times de futebol feminino do país, o Novo Mundo, recentemente eliminado pelo Santos no Brasileirão, mas com honra. É um time amador, que não dá quase nada de custos para os dirigentes. Cap, Coxa e Paraná poderiam recrutar alguns times femininos da cidade e montar seus próprios times. O custos são mínimos e com um acordo qualquer com os jornais de Curitiba, pedindo pra divulgar e valorizar esses torneios, logo iria aparecer algum interessado em estampar sua empresa no uniforme e ver sua marca associada a ele no jornal. Está aí outra bela chance dos times da capital voltarem a envolver seu povo. Que tal fazer uma turnê na cidade com os times, enfrentando os times dos bairros, levando as cores do trio de ferro por esses mais de 70 bairros curitibanos. Só não vale cobrar caro pelo ingresso, se não espantam de vez o povão, que prefere o conforto da TV pra ver futebol de alta qualidade.
12 – Resumo
Os dirigentes de Curitiba precisam perceber de verdade que os clubes estão enfraquecendo dentro da própria cidade, e criar critérios do que querem da vida. Não basta reclamar de RJ e SP, tem que fazer sua parte e esquecer deles. No dia que conseguirem mobilizar de verdade toda a cidade, como era feito antigamente, vão ganhar dinheiro com isso. Mas se ficarem vacilando nesse ritmo, a tendência é em breve voltar a agonizar como faziam nos anos 90, que tinha diversos jogos na capital pra 3 ou 4 mil pessoas no estádio..no máximo.
Extra, de lambuja - Só pra apimentar, tem também essa federação. Não funciona, vive em função da política. Tinha tudo pra tentar fazer algo pelos clubes, em especial os do interior, e fortalecer o campeonato. Mas os nossos queridos cartolas preferem ficar em suas confortáveis cadeiras da federação, aparecendo no interior apenas pra fiscalizar se os clubes estão pagando direito as taxas da FPF. Isso aí não é parceria. Se uma campanha não for feita, envolvendo curitibanos e interioranos, podemos esquecer. O futebol aqui parou no tempo e ver RJ e SP pela televisão sai mais barato.