Uma avenida. Algumas casas noturnas. Muitas pessoas. Alta rotatividade. Bebidas alcoólicas. Drogas. Sexo fácil. Pretextos perfeitos para movimentar mais de um ambiente no centro de Curitiba: Avenida Cruz Machado. Pretextos suficientes para causar problemas de saúde em algumas pessoas.
Talvez por isso, de madrugada, famílias conservadoras não passeiam no local. Quem passeia, tem nome. Algumas vezes não. Sobrenome? Difícil. Apelidos? Muitos. Entre os que estão ali, está o cidadão Zé. Guardador de carros. Sangue bom. Mas contaminado. Faz três anos, ele que guarda carros direitinho, guardou da forma errada. Saiu com uma garota e comeu sem camisinha. “Tava no rolê. Comi. Me fodí (sic). To nem aí”, rima o truta.
Na mesma rima, ou parecida, canta uma banda de pagode. Dentro de um bar. Para várias pessoas. Entre elas, Diva. Metrosexual, como ela mesmo se classifica, já transou com todos os caras que quis. Mulheres também. Realmente, ela é bonita, no entanto, depressiva. As palavras da moça revelam sua trajetória de vida: “Perdi um namorado, com 13 anos. Com 27 não sei mais arrumar um”.
Ela não sabe. Zico sabe. 16 anos de Cruz Machado, rolês intensos. Várias conquistas. Nenhuma derrota. Talvez uma, embora ele não considere. Nosso amigo, que tem 43 anos, é alcoólatra. “Antes mesmo de freqüentar a Cruz Machado eu já bebia. Bebia para esquecer qualquer tristeza. Hoje bebo. Para ser feliz. Paro quando morrer”, enfatiza ao lembrar de um outro personagem que morreu após uso demasiado de crack: “pelo menos drogas eu não uso”.
Não usa a ilícita. Mas alguns usam. As batidas policiais também ocorrem, em cantos específicos da rua. De acordo com um vigilante, “as drogas comem soltas”. Mas qual seu nome? Vigilante. “Não interessa. Não quero ir parar em um hospital. Nem no cemitério”.
*O material foi escrito em novembro de 2006. A realidade é a mesma em 2008.
3 Comentários
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Interessante como eu nunca estive em Curitiba mas este texto me causou a sensação de já ter passado por aquelas ruas várias vezes…
Ótimo blog. Passarei mais por aqui.
Abraços!
Seu texto é um retrato não somente da Cruz Machado, mas do centro de Curitiba como um todo. Muito bom.
Também passarei mais aqui. ;)
Essa é uma história cheia de grandes personagens.
Como eu queria conhecê-los! Medo e delírio na noite de Curitiba… Eu correria atrás pra escrever sobre eles…
muito bom…